segunda-feira, maio 30, 2011

*Entrevista do blog Memória e Patrimônio Histórico de Queimados sobre o Queimados Futebol Clube*

Reproduzimos aqui a entrevista feita pelos professores Nilson e Cláudia do blog Memória e Patrimônio Histórico de Queimados repassando a história e contribuindo para a preservação e valorização da história de Queimados posto que a Escola deve compartilhar da cultura recebida influenciando o crescimento dos cidadãos e da sociedade. Agradecemos aos professores Nilson e Cláudia por permitirem a reprodução deste trabalho no nosso blog:


Memórias dos gramados: José Cocão e Jair Borracha nos falam sobre o Queimados Futebol Clube

*Da esquerda para a direita: Profº Nilson, Jair Borracha, José cocão e Profª Cláudia no dia da entrevista 22/05/2011 - Foto do arquivo do blog Memória e Patrimônio Histórico de Queimados*

Tarde de sábado, sol e temperatura amena de outono.  Fomos até o bairro de São Roque, outrora extenso laranjal, para um bate papo animado sobre o futebol e Queimados.  Demonstrando ser uma dupla afinada dentro e fora das quatro linhas, José Cocão e Jair dos Santos, mais conhecido como "Jair Borracha," rememoraram infância e juventude em Queimados e a relação de amor mantida com o Queimados Futebol Clube, onde ambos jogaram e Cocão foi presidente.
José Cocão apresentou-se, falando um pouco sobre sua infância em Queimados.  Nascido em Carangola, Minas Gerais, veio com a família para Queimados, em meados da década de 1940, quando contava apenas três anos de idade, a fim de "melhorar de vida", nos seus dizeres.  Com o fim da Segunda Guerra Mundial e o declínio gradual da citricultura em Nova Iguaçu, da qual Queimados era o Segundo Distrito, começava o loteamento das fazendas que iam à falência, dando início ao processo de urbanização da região.  Da infância "humilde, porém feliz", como ele mesmo garantiu em vários momentos da entrevista, restaram boas recordações: o trabalho na colheita das laranjas na Fazenda do Dr. Weimschenk (Fanchém), na olaria, no barracão de beneficiamento das laranjas e como limpador de cana, na lanchonete do Café Central.   No decorrer de sua fala, começamos a resgatar, ainda que mentalmente, a arqueologia da cidade: segundo nosso entrevistado, a olaria em que trabalhou situava-se em um morro, que ainda hoje traz as marcas do desgaste causado pela extração da tabatinga, próximo ao Supermercado Extra (antiga Sendas).  O referido supermercado, por sua vez, era o local onde funcionava o barracão de beneficiamento das laranjas.  Quanto ao Café Central, ele ficava próximo à Praça N.Srª. da Conceição, onde hoje é a Peixaria do Hipólito.      

 Um pouco mais novo que Cocão, Jair Borracha nasceu em Queimados, em uma época em que as crianças vinham ao mundo em casa, pelas mãos de experientes parteiras.  Ele ainda traz na memória, lembranças de algumas chácaras remanescentes dos grandes laranjais de Queimados, nos permitindo entrever que sua infância e adolescência acompanharam o desenvolvimento urbano do local.  A paixão pelo futebol fortaleceu a amizade entre eles, na medida em que parte significativa de suas vidas foi dedicada ao Queimados Futebol Clube, fundado ainda na década de 1920.  Juntos, nossos entrevistados rememoraram uma "época de ouro" do futebol queimadense, entre as décadas de 1960/70, quando o time do Queimados F.C. conquistou vários campeonatos da liga local.
Durante esse bate-papo, José Cocão enfatizou a importância do clube como espaço de convivência e inserção social na comunidade queimadense.  A ideia que ambos nos passam é a de que o Queimados F. C., no passado, funcionava como uma grande família, baseada em laços de apoio e confiança, passando por cima das desigualdades sociais.  Sob esse aspecto, pecebemos a construção de sentimentos identitários que agregaram os queimadenses e que, posteriormente, foram fundamentais na luta pela emancipação.  Cocão e Borracha lamentam que essa característica do clube esteja se diluindo com o passar dos anos, o que para nós, evidencia a perda de um lugar que seja referência na memória da cidade...
No contexto dessa aparente luta entre passado, presente e futuro, José Cocão e Jair Borracha admitem que o progresso é inevitável e que, nesse sentido, muito tem sido feito nos últimos anos para que a cidade se desenvolva.  Porém, eles nos chamam a atenção para o fato de que a História está ali, viva em cada cidade, bairro ou esquina e não deve ser esquecida.  Nesse sentido, vamos além: admitimos que a História é uma construção permante e coletiva, sendo portanto, importantíssima a sua compreensão e valorização a fim de que possamos entender quem somos e por que estamos...


Um comentário:

História Queimados disse...

Ficamos imensamente satisfeitos com a repercussão positiva do nosso trabalho. Agradecemos, em especial, à profª Denise Guerra, por ter valorizado esse trabalho e ajudado na divulgação do nosso blog.
Nos colocamos à disposição para auxiliar a sua pesquisa!
Profs. Claudia e Nilson

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